UmA nOiTe EsPeTaCuLaR...
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Perder, Ganhar, Viver - Carlos Drummond
O poeta Drummond, há 32 anos, brindou-nos com esta bela e inesquecível crônica que traduz, com sensibilidade, a angústia do povo brasileiro ao perder a Copa de 82.
Perder, Ganhar, Viver
"Vi gente chorando na rua, quando o
juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os
plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados
inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi
rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer
coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico
incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência
de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era
declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e
dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em
uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos
pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras,
acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do presidente, que se
preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de
euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi
os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava
um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas,
unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo
a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e
vendedores de bandeirinhas, flâmuIas e símbolos diversos do esperado e exigido
título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do
lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de
edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta
coisa nas almas…
Chego à conclusão de que a derrota,
para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a
admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto
a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no
mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de
vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos
estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes.
Perder implica remoção de detritos: começar de novo.
Certamente, fizemos tudo para
ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir
da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao
imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz
de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção fosse à Espanha, terra de
castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como
propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na
realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do
risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não voltamos de
mãos vazias porque não trouxemos a taça. Trouxemos alguma coisa boa e palpável,
conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente
ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder
para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não
nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi
apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.
Perdendo, após o emocionalismo das
lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças, o senso da
moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira
dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que
jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a
evaporar-se. Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus
jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante
não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e
meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura
solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82
acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E
há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos."
É, queridos...
A COPA DO MUNDO de 2014 ACABOU PARA NÓS, MAS O MUNDO NÃO ACABOU.
O SOL BRILHA LÁ FORA E DEVE BRILHAR EM NOSSOS CORAÇÕES, SEMPRE!
E nosso mesmo Drummond chamou-nos...
"E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade?"
terça-feira, 8 de julho de 2014
'HeRRaR' é 'UmAnO'... mas não é pra tanto!
Além da ortografia inadequada: 'BICICLETA', 'EM BOM ESTADO', 'CRIANÇA' 'HOMEM', há também desvio de concordância: VENDEM-SE BICICLETAS: BICICLETAS SÃO VENDIDAS.
'AO VIVO' foi ótimo, não é?
O que acharam dessa aí?
Saberiam identificar os ERROS?
Nossa... 'FEMININO', 'MASCULINO'.
Que tal o 'VRIDRO'?
Leia-se: "VIDRO"
Essa então é de 'lascar': 'PROFICIONAIS' com "C"!
domingo, 6 de julho de 2014
Influência da língua tupi: topônimos
O Brasil é a única ex-colônia portuguesa que
não fala com sotaque português.Isso se deve à influência da língua tupi.
A seguir, alguns substantivos de origem tupi que estão presentes em nosso idioma e seus significados:
Andaraí: água do morcego
Anhangabaú: buraco do diabo
Aracaju: tempo de caju
Carioca: casa de branco
Curitiba: muito pinhão, pinheiral
Goiás: gente da mesma raça
Ipanema: água suja
Jacarepaguá: lago do jacaré
Mogi-Mirim: riacho das cobras
Pará: mar
Paraguai: rio do papagaio
Paraíba: rio ruivo ou encachoeirado
Paraná: rio afluente
Pirapora: peixe que salta
Pindorama: país das palmeiras
Sergipe: rio dos siris
Tijuca: barro mola
Perceba que esses nomes toponímicos [refere-se à TOPONÍMIA, palavra essa que denomina o estudo
etimológico dos TOPÔNIMOS, que vem a ser entendido como um nome próprio de
lugar] descrevem e definem
lugares, cidades, praças, ruas, indivíduos e inclusive produtos, estando
continuamente presentes no dia a dia do brasileiro.
Trata-se de apenas algumas
das inúmeras palavras do idioma tupi que fazem parte do nosso vocabulário há
muitos anos; porém, seus significados são desconhecidos pela maioria da
população.
Sabe-se que os padres jesuítas José de Anchieta e Manuel da
Nóbrega dedicaram-se aos estudos e codificação da língua tupi-guarani, seus
usos, costumes, história e origem antropológica. De fato, embora muitos
brasileiros desconheçam os significados dos vocábulos de origem tupi existentes
na língua portuguesa, é inegável que essa nação teve grande influência na
construção de nossa identidade cultural e linguística.
[adaptado]
Fonte: http://www.profeneida.com.br/
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