A falta de afeto, de segurança e de humor podem levar o aluno a se desinteressar pela escola.
4. Falta de interação e uso de rótulos
Além dos pais e da direção da
escola, também os alunos estão exigindo mais do desempenho do professor.
"Nada desanima mais um aluno do que um professor que entra na sala,
explica um assunto rapidinho e manda fazer, durante uma ou duas aulas inteiras,
os exercícios da apostila, enquanto ele fica em sua mesa corrigindo cadernos ou
provas de outras turmas", reclama Arthur Henrique Grillo Mori, estudante
de 11 anos do Colégio Professor Carneiro Ribeiro, na zona sul de São Paulo. O
aluno, cujas notas variam entre 7 e 9, gostaria que o professor sugerisse
dinâmicas diferentes, conteúdos novos e, principalmente, que interagisse mais
com a turma. "É cansativo ficar tanto tempo num mesmo tipo de atividade,
aí acabamos conversando com os amigos, e isso irrita a professora".
Pronto, está armada aí uma perigosa situação: aluno fica entediado, começam as
conversas paralelas, professor fica bravo, repreende os alunos e pode
afastá-los para longe dele. "Tem professor que, quando bravo, acaba usando
nossos pontos fracos para dar bronca e isso nos faz perder o respeito por ele,
algumas vezes até sentir ódio", desabafa o jovem Arthur.
Eis aí mais um cuidado ao qual o
docente precisa ficar atento: a linguagem. O professor deve lembrar sempre que
todo julgamento que faz sobre um aluno é rapidamente absorvido. Portanto,
trabalhar com rotulações, mesmo num momento de muita ira, pode desestimular a
criança ou o adolescente em vários aspectos. Segundo a educadora Neide de
Aquino Noffs, o mais comum é ouvir professores dizendo, em situações de
descontrole, "eu não ganho pra isso", "você não tem jeito
mesmo". "E isso é extremamente prejudicial. O docente precisa usar a
linguagem (tanto a oral quanto a escrita) para ajudar o outro, e não para
prejudicá-lo ou colocá-lo pra baixo", defende Neide.
5. Falta de segurança
Professor despreparado seja
porque veio de um Ensino Superior deficiente seja porque não atualizou seus
conhecimentos ao longo de sua carreira tem grandes chances exercer sua prática
com insegurança, e, conseqüentemente, desestimular os alunos. Essa é a opinião
da administradora escolar Heliane Fernandes Rotta, de Piracicaba, SP.
"Entre os alunos sempre existe aquela expectativa de que o docente seja um
‘mestre’ em
sua essência", afirma a educadora. E, se os
alunos percebem que o professor tem pouco domínio dos conteúdos no momento de
transmitir os conhecimentos, possivelmente eles podem perder o encanto e
admiração por aquele profissional.
A insegurança do docente pode
vir, não só da falta de conhecimentos, como da falta de pedagogia. E, neste
caso, até as crianças menores acabam percebendo. "É por intuição, por
observação", acredita Neide de Aquino Noffs, coordenadora do curso de
psicopedagogia e professora da Faculdade de Educação, na PUC-SP.
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